O PIB do agronegócio mineiro, a produção de café nos municípios e o tarifaço americano
Por Cláudio Ferreira da Silva, formação básica em administração e economia, com MBA em Gestão Estratégica pela UFMG, Mestrado em Ciência Política e especialização em relações internacionais pela UNB.
A proposta desta coluna é analisar mensalmente um fato, um tema, um assunto de interesse da sociedade em geral e as implicações para as empresas e os negócios. Para esta terceira edição da coluna, proponho uma análise sobre o PIB do agronegócio mineiro, a produção de café nos municípios e o tarifaço americano
Por mais um ano, o agronegócio de Minas Gerais registrou um Produto Interno Bruto (PIB) recorde. As riquezas geradas pela atividade, em 2024, somaram R$ 235 bilhões, uma alta de 9,55% (ou de R$ 20,5 bilhões) em relação a 2023. A expansão foi impulsionada pela valorização média de 10,2% nos preços dos produtos do setor, o que compensou a queda de 0,5% em termos reais no volume de produção.
Os dados são do estudo divulgado pela Fundação João Pinheiro (FJP), em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), e com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg).
Com o resultado, o setor respondeu por 22,2% do PIB estadual que, em 2024, chegou a R$ 1,06 trilhão, um crescimento de 3,1% na geração de riquezas em relação a 2023.
Já na agroindústria e nos serviços relacionados houve crescimento real da produção de 1,7% no período.
Com o resultado, em 2024, o valor adicionado bruto (VAB) no núcleo das atividades agrícolas, da pecuária e da produção florestal evoluiu de R$ 61,8 bilhões em 2023 para R$ 70 bilhões em 2024. Já o PIB da agroindústria e dos serviços passou de R$ 152,7 bilhões para R$ 165 bilhões no mesmo período.
Sobre os municípios produtores de café passam a liderar as exportações de Minas Gerais podemos constatar que em Minas Gerais, mudança de perfil dos principais municípios exportadores está relacionada ao preço do grão e à demanda por minério de ferro.
Historicamente, os municípios mineradores lideravam as exportações de Minas Gerais, porém, neste ano, os cafeeiros tomaram a dianteira. A mudança de perfil dos principais exportadores está relacionada ao preço do café e à demanda por minério.
Entre janeiro e maio, Varginha, localizada no Sul do Estado, teve uma receita de US$ 1,4 bilhão com embarques, a maior entre todas as cidades. O café respondeu por quase 98% desse total. A commodity agrícolafoi enviada, principalmente, para a Alemanha, Estados Unidos, Japão e Itália. Os números constam em uma plataforma da Fundação João Pinheiro (FJP), que reune dados do comércio exterior do Brasil, divulgados pelo governo federal.
Na segunda posição do ranking mineiro ficou Guaxupé, outro município cafeeiro da região Sul. As exportações somaram US$ 1 bilhão em valor, dos quais 99,8% vieram do café. As vendas foram, sobretudo, para os mercados norte-americano, alemão, italiano e turco.
A China, principal parceira comercial de Minas Gerais, reduziu a demanda por minério de ferro devido a problemas internos. Com isso, os municípios que produzem a commodity mineral no Estado, que geralmente ocupam as primeiras colocações da lista de maiores exportadores, foram afetados.
Para efeitos de comparação, nos últimos cinco anos, municípios produtores de minério de ferro estiveram no topo. A ferramenta da FJP, que contempla dados de 2020 adiante, mostra que Conceição do Mato Dentro, na região Central, e Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), lideraram o ranking duas vezes cada. A exceção ocorreu em 2024, quando Araxá, impulsionada por vendas de ferro-ligas, liderou.
O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros importados do Brasil poderá impactar o agronegócio de Minas Gerais. Conforme os dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), os EUA são o segundo maior parceiro comercial do agro do Estado, atrás apenas da China. Em 2024, as exportações para o país norte-americano somaram US$ 1,9 bilhão, respondendo assim, por 11,5% dos embarques do setor. Nos primeiros cinco meses deste ano, o faturamento das exportações do agro para os EUA cresceu 46%.
Entre os produtos que podem ser afetados estão o café, carnes, produtos florestais, apícolas e frutas. Em nota, o Sistema Faemg Senar manifestou preocupação com a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
“O aumento das tarifas afeta diretamente o setor produtivo, especialmente as exportações do agronegócio brasileiro, com destaque para carnes, produtos florestais, café, suco de laranja, açúcar e etanol, que são os principais itens da pauta exportadora do Brasil para os EUA. Além disso, tende a encarecer insumos importados e comprometer o desempenho das cadeias produtivas, prejudicando produtores e consumidores”, aponta trecho da nota oficial divulgada na quinta-feira (10) de julho pela entidade.
O Sistema Faemg Senar defendeu a diplomacia como instrumento de resposta a esse cenário e reforça a importância do foco na retomada do diálogo e na preservação do ambiente de cooperação entre os dois países.
Em 2024, o agro de Minas Gerais exportou para os EUA um volume de aproximadamente 753 mil toneladas de produtos agropecuários, gerando uma receita de cerca de US$ 1,9 bilhão, correspondendo a cerca de 11,5% do total das exportações do setor mineiro.
As exportações seguem em alta em 2025. De janeiro a maio, o agronegócio mineiro seguiu exportando para os norte-americanos e, no período, a representatividade dos embarques para o país chegou a 12% no total exportado pelo setor. Houve aumento de 46% no faturamento dos embarques e queda de 16% no volume. Os dados da Seapa mostram que as exportações somaram 252 mil toneladas de produtos e uma receita de US$ 1 bilhão.
Dentre os principais produtos que compõem a pauta de exportações do agro mineiro para os EUA, o principal foi o café, com uma movimentação financeira de US$ 1,5 bilhão e 5,9 milhões de sacas de 60 quilos embarcadas em 2024. Neste caso, o país da América do Norte é o principal destino do grão. Neste ano, a comercialização do grão já movimentou US$ 846,5 milhões entre janeiro e maio.
O aumento da tarifa determinada pelo presidente Trump também afetará o setor de carnes. Em 2024, o embarque dos produtos para o país movimentou cerca de US$ 145 milhões, com a exportação de 325 toneladas. O país é o segundo maior comprador do produto, perdendo apenas para a China, e já comprou US$ 92,9 milhões entre janeiro e maio de 2025.
Outros itens com embarques relevantes para os Estado Unidos no ano passado e que poderão ser afetados são os produtos florestais, que movimentaram US$ 121,4 milhões; seguido pelos produtos apícolas, US$ 16,2 milhões, e frutas, com receita de US$ 275 mil. A composição de diversos outros produtos somam ainda um valor exportado pelo setor de US$ 117 milhões em 2024.
Até a próxima análise de um fato e um tema.
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