Sociedade Patense - página 7 - 30/08/2025
30/08/2025 Folha Patense Página 7
Em outros ares a muito linda Olívia Jardim Pfeilsticker Silva!
A muito fofa Júlia Martins Sanders, filha de Letícia Sanders e Adrianus Sanders
“A infância é o momento de plantar alegria. Cada riso sincero é uma semente de luz. Cuidar da felicidade das crianças é cuidar do futuro do mundo"
Roberta Braga Amorim bisneta do saudoso, José Paulo de Amorim e sobrinha do Dr. Paulo Amorim, comemorando mais um aniversário. Na ocasião, também foram comemorados os 22 anos de casados com o muito querido Antônio Carlos (Tonhão)
Parabéns, Roberta, pelo seu aniversário. Parabéns, Roberta e Tonhão, pelos 22 anos de perfeita união. Sejam felizes!
Tributo ao homem de fé e de sonhos Arthur Bernardes da Silva
Arthur Bernardes nasceu em Lagoa Formosa, no coração de Minas, quando a vida ainda corria no compasso dos sinos da igreja e o vento cheirava a terra molhada e pão fresco. Arthur Bernardes da Silva veio ao mundo no dia 22 de agosto de 1927, filho de João e Rufina. Nasceu em uma casa em que o trabalho era lei e a fé, um abrigo diário, tendo a fartura apenas de irmãos: Ataíde, Otávio, José, Luzia, Maria Rufina, Balbina, Maria Cândida e Ercídia.
O menino de pés descalços ganhou sua primeira botina aos dez anos e, junto com ela, o primeiro ofício: entregador de pão. Aprendeu, então, que a vida se move quando a gente se põe em marcha. Ainda jovem, de mãos calejadas e olhar desperto, descobriu que comércio não era apenas trocar mercadorias, mas também oferecer confiança, conversa e esperança.
Em 1947, juntamente com seu amigo Sinhozinho, fundou a “Casa Arthur e Sinhozinho”, na qual tecidos, perfumes, brinquedos e sonhos eram embalados no mesmo papel pardo. O comércio cresceu, novas lojas surgiram: ferragens, sapatos, funerária, relojoaria. Arthur descobriu no trabalho um propósito de vida.
Casou-se em 1952 com Senita. O amor é assim: às vezes chega como brisa; outras vezes, é mão que segura firme e também a mão que solta para deixar voar. Os anos se passaram e a casa de portas abertas se encheu de filhos. Oito ao todo. Dois faleceram ainda pequenos, mas o riso dos outros seis ecoou pela vida: Marta, Maria de Fátima, Ângela, Elisabete, Helena e Arthurzinho. Vieram netos, bisnetos e, com eles, um coro de vozes novas que transformaram o tempo em legado.
Em meados de 1965, Arthur mudou-se com a família para Patos de Minas, levando consigo a experiência e a coragem de quem não tem medo de recomeçar. As lojas prosperaram: a Casa Arthur, especializada em tecidos, e a famosa Casa Beija-Flor, um verdadeiro “shopping”, onde se encontrava de tudo.
Arthur era incansável, um visionário. Buscava pessoalmente, em São Paulo, as mercadorias que abasteciam suas lojas. Em tempos sem tecnologia, empreender era ato de coragem: plantar no escuro e colher na fé; acordar cedo, abrir a porta e esperar que o trabalho honesto fizesse eco por toda a região. Era mais sobre reputação do que propaganda, era quando negociações eram feitas com um aperto de mão e uma boa dose de confiança na palavra dada.
Mas não era só de trabalho que sua vida se fazia. A família toda embarcava em aventuras nas férias, quando a estrada parecia mais curta e o vento trazia o cheiro do mar. Ali, o tempo tinha outro ritmo: os dias se mediam pelo nascer e pelo pôr do sol, pelos castelos construídos na areia. Era como se a água renovasse sua alma. Nessas horas, ele não contava as horas — o tempo se dissolvia como as conchas levadas pela maré.
Havia em Arthur um lado musical, um afeto que se expressava pelo som do violão. Ele tocava também saxofone e chegou a participar de uma banda. Ao entardecer, em Lagoa Formosa, reunia a família e, entre acordes e canções, ensinava que o amor se cultivava também na simplicidade dos encontros. Quando tocava, parecia que o mundo desacelerava: o barulho do vento nas folhas virava arranjo, o bater distante de um portão fechando virava percussão e as vozes dos filhos compunham o refrão.
Mas sua maior marca era a fé. Arthur era um homem de devoção firme à Nossa Senhora da Piedade e nunca deixava faltar o terço rezado em família. Rezava o terço como quem borda o tempo com paciência: cada conta, uma lembrança; cada mistério, um suspiro que subia manso ao céu.
Aos oitenta anos, o grande empresário, que contribuiu durante toda a vida com o progresso de Patos de Minas e região, decidiu se aposentar, como quem encerra um livro lido com atenção até a última página. Não porque lhe faltasse força ou vontade, mas porque sentiu que era hora de trocar a pressa pela contemplação. Fechou o caderno de anotações e olhou para a vida com gratidão. O relógio já não tinha mais importância: pôde sentir o cheiro do café, o sol entrando pela janela e, na varanda, acompanhar o voo de um beija-flor.
Faleceu em 9 de julho de 2021, aos 94 anos. Partiu cercado de lembranças, de rostos amados e de histórias que já não cabiam apenas nele, pois estavam espalhadas pelos corações de todos que o conheceram. Não houve tristeza seca, houve um silêncio doce. A fé que o acompanhou desde sempre pareceu abrir-lhe caminho, e Nossa Senhora da Piedade, a quem tanto rezara, parecia estender-lhe a mão.
Deixou como herança mais do que bens. Deixou o exemplo do trabalho honesto, o som de um violão ecoando no tempo, o cheiro do mar das férias em família e o terço gasto, esperando novas orações.
*Mirian Gontijo, 22 de agosto de 2025*
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