Sociedade Patense - Páginas 6 e 7 - Folha Patense - 23/5/2026
Páginas 6 e 7 Folha Patense 23/05/2026
Thaizy Silva, muito elegante, em dia de festa
A linda e perfeita profissional Dra. Laura Oliveira
Casal de peso em nossa sociedade: Dr. Cícero Fabiano (gastroenterologia) e Dra. Luciana Garcia (medicina capilar)
Ser criança é ter olhar inocente e coração puro e simples!
Nesta semana, o destaque vai para esta "fofura”: Eva Lima de Queiroz, filha de Gabriel Queiroz Tavares e Gabriela Lima Petkoy
Dra. Beatriz França ao lado do Padre Reginaldo Manzotti em Londres durante peregrinação por Nova Yorque, Edimburgo, Goslow e Liverpool. Uma viagem abençoada; crescimento espiritual com uma surpresa a cada dia.
Foi inaugurado em Patos de Minas um novo point para quem gosta de curtir bons momentos entre amigos. O Saideira Bar vem conquistando o público com ambiente descontraído, atendimento de qualidade e aquela cerveja sempre trincando. A proposta é unir música, diversão e uma energia leve para transformar qualquer dia da semana em motivo para sair de casa. A inauguração movimentou a cidade e foi apenas a primeira de muitas noites especiais.
O renomado pianista britânico Ivo Neame lançou este mês o single For The Best, com participação de Heide Vogel, da The Cinematic Orchestra, além de outros projetos grandiosos. A canção é uma parceria com a mineira Fernanda Rabelo (foto), que é cidadã Patense.
A música está disponível nas plataformas digitais. Fernanda é autora de Afim do Samba, que ganhou o festival de música UniubeFest em 2011, interpretada na época por Marina Rabelo e regravada anos depois pela autora. Fernanda convidou os amigos Jacques Morelenbaum e Xantoné Blacq (pianista da banda da Amy Winehouse) para participarem da faixa Em Hoje Sol. Outras canções de sua autoria são Safira, com Aleh Ferreira, da banda Black Rio, além de, Sou Festa e Fundamental Spin (parceria com Jana Linhares) para o álbum de Jana intitulado Tempo de Delicadeza, com participação de Ney Matogrosso. Essas são algumas composições de Fernanda Rabelo disponíveis no digital (Spotify, YouTube, Apple Music, e outras plataformas).
Queremos ouvi-las nas rádios. Alô, Patos de Minas!
Tributo ao TiNewton
Há pessoas que parecem ter nascido para atravessar pontes. Newton Ferreira da Silva Maciel atravessou muitas. Algumas eram feitas de ferro e madeira, como as pontes das linhas de trem que cortavam Minas Gerais. Outras eram invisíveis: a distância da família, a saudade, o medo silencioso de um menino que precisou crescer cedo demais. Saiu de casa aos doze anos para estudar. Hoje, isso parece aventura; naquele tempo, era coragem. O caminho começava em Catiara, onde se esperava o trem vindo do Nordeste. Às vezes era preciso aguardar um dia inteiro pela composição, que chegava cansada, cheia de gente, malas e destinos. E lá ia o menino, levando pouca roupa e muita esperança. Primeiro foi São João del-Rei. O colégio dos padres italianos era rígido demais para uma criança tão nova. As noites deviam ser longas, porque quando a saudade, mora no peito de um menino, faz frio até nos dias quentes. Depois, vieram Viçosa e Lavras. E foi em Lavras que o mundo pareceu mais leve. Havia liberdade, novos pensamentos circulando pelos corredores, e a vida começava a mostrar que podia ser também generosa.
O menino do interior começava, sem saber, a descobrir o homem que seria. Em Belo Horizonte, entrou para a Faculdade de Direito da Uemg, formando-se em 1957. Também estudou Criminologia na Escola Rafael Magalhães, tendo exercido a advocacia na comarca de Patos de Minas. Mas TiNewton nunca foi apenas um homem dos livros, inclusive escreveu vários. Gostava de pescar, talvez porque a pesca ensinasse exatamente aquilo que Minas ensina aos seus filhos: paciência, silêncio e contemplação. Gostava também de cinema. Ia semanalmente, como quem preservava um ritual sagrado. Talvez amasse aquele instante em que as luzes se apagavam e o mundo inteiro se abria, imenso, diante dos olhos. Talvez fosse por isso que carregasse tantas histórias dentro de si. Além de advogado foi também professor.
O apelido “TiNewton” nasceu do afeto. Quando dava aulas no Colégio Estadual, os alunos viam os muitos sobrinhos chamá-lo de “Tio Newton”. Na doçura apressada do sotaque mineiro, ficou “TiNewton”. E assim permaneceu para sempre: não como apelido, mas como nome de amor. Lecionou geografia e, mais tarde, dedicou-se ao ensino superior, dando aulas nos cursos de Administração, Contabilidade e Direito. Sua área era o Direito Comercial, hoje chamado Direito Empresarial. Sua própria história familiar parecia saída de um filme antigo.
Quando tinha cerca de dois anos, seu pai adoeceu. Sua mãe, Affonsina, já cuidava dos outros filhos e enfrentava as durezas da vida. Pediu ajuda à tia Jorgeta Maciel para cuidar do caçula. E aquela ajuda transformou-se em amor para toda a vida. Dona Jorgeta era casada com Amadeu Dias Maciel, construtor do famoso palacete da Avenida Getúlio Vargas. O casal não teve filhos. Mas acolheu TiNewton como quem recebesse um presente inesperado do destino. E ele viveu naquele casarão elegante da avenida, cercado de cuidados, conforto e afeto. Mas o menino cresceu e, em Belo Horizonte, conheceu Odete. Namoraram por três anos. Depois da formatura, decidiram se casar e voltar para Patos de Minas para construir a vida juntos. Foi um casamento longo, sólido e cheio de parceria por 64 anos. Juntos, tiveram quatro filhas - Patrícia, Nilma, Cláudia e Flávia -, além de oito netos e cinco bisnetos.
Quem observava apenas seus títulos via o advogado, o professor, o homem culto. A família via mais. Via o menino dos trens, o pescador paciente, o homem encantado pelo cinema, o marido exemplar, o pai de quatro mulheres, o professor querido, o filho criado entre duas casas e multiplicado pelo amor de duas mães. Algumas pessoas deixam bens. Outras deixam lembranças. Newton Ferreira da Silva Maciel faleceu em 3 de janeiro de 2022. Mas há vidas que não terminam quando o corpo parte. A dele é assim, pois, quando passamos diante do velho palacete da Avenida Getúlio Vargas, ainda parece possível sentir um menino brincando por ali.
Mirian Gontijo, 10 de maio de 2026.
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